Crônicas

Amores possíveis





Levando em consideração minha idade, até só amei uma mulher na vida, minha mãe. Não que eu quisesse, porém nenhuma me chamava atenção, assim como a senhora que me deu a vida. Minha primeira namorada, pela qual cheguei a ter verdadeiros sentimentos por ela, me deixou plantado na porta do cinema, anos atrás. Passado isto, sempre me envolvia com alguma moça que aparecesse e passávamos a noite juntos, para a infelicidade de minha mãe, que repudiava todas elas. Voltei a me envolver com uma outra que conheci por aí, não lembro exatamente onde. Por um bom e duradouro tempo ficamos juntos. Após alguns anos, reencontrei minha primeira namorada. De alguma maneira ainda sentia algo por ela, e ela por mim. Não deu outra, reatamos e pra valer. Como dois adolescentes apaixonados, namoramos incessantemente. Tivemos um filho. Hoje, oito anos após este episódio, sinto como se ainda não houvesse encontrado o amor da minha vida. Não fora por falta de oportunidade, talvez esse amor não exista, seja apenas fruto da necessidade de ter uma alma gêmea. Talvez ainda houvesse uma possibilidade. Foi aí que passei a me relacionar com outro homem. Um amor que nunca passou por minha cabeça. Por que nunca me dei conta que existem as mais diversas foras de amor? A verdade é que ele esteve o tempo todo ao meu lado, só eu não vi. Era companheiro de trabalho há anos. Talvez eu esteja ficando obsessivo com essa coisa de amor. Ainda não me sentia contente ou satisfeito. Um dia procurei a mãe do meu filho, possivelmente ainda a amava. E no que deu? Amor. Eu a amava, assim como também meu atual parceiro. Seria possível este amor?

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Relaçoes-Públicas, redator, blogueirx, ativista negro e LGBT+.
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