Belo HorizonteNegritude

Rede de Artistas Negras realiza projeto de residência artística em Belo Horizonte

As artistas Amália Coelho e Dayane Tropicaos farão quinze dias de imersão criativa em iniciativa inédita no estado

Entre os dias 10 e 26 de outubro de 2019, acontece no Centro de Referência de Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado (R. Min. Hermenegildo de Barros, 904 – Itapoã), na Região Norte de Belo Horizonte, a primeira edição do projeto Residência de Jovens Negras nas Artes Visuais.

A iniciativa é uma idealização da rede MUNA – Mulheres Negras nas Artes e realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte.

As artistas Amália Coelho e Dayane Tropicaos participarão de uma imersão criativa para desenvolvimento de seus projetos, acompanhadas de Ana Lira, artista visual, Amanda Carneiro, curadora, e Mametu N’kise Muiandê, a Mãe Efigênia, matriarca do Quilombo Manzo Nguzo Kaiango, que farão a orientação e estímulo durante o processo.

As idealizadoras, Fabíola Rodrigues e Mariana de Matos, iniciaram o projeto em 2016 com o intuito de incentivar e fomentar o protagonismo de jovens artistas na arte contemporânea. “Levando em consideração as desigualdades existentes nos meios de produção artística, a residência neste sentido, contribui para mudanças significativas dentro do cenário da arte contemporânea brasileira que apresenta uma inexpressiva participação de mulheres negras”, explica Mariana.

A escolha das artistas que compõem o projeto não se deu por acaso. Tanto as residentes quanto as mentoras tem pontos específicos que contribuem para a realização das atividades de forma a combater preconceitos e dar visibilidade a arte produzida por pessoas negras, em específico as mulheres. “A escolha das convidadas que acompanharão as artistas durante o processo de residência levou em consideração alguns temas que pudessem contribuir para o desenvolvimento dos seus projetos e que estivessem em acordo com suas experiências e áreas de atuação. Assim como a escolha das residentes levou em conta a relevância dos temas para a sociedade atual”, completa Fabíola.

Para que o processo seja compartilhado com o público, serão oferecidas atividades para pensar e experimentar as etapas e processos sobre a cadeia produtiva das artes visuais, um encontro aberto das artistas com a mestra Mametu Muiandê e para finalizar a residência haverá uma mostra de processos e bate-papo com as artistas contando um pouco de como foi a experiências durante a imersão.

A programação segue com imersões, vivências e uma oficina que trata da cadeia produtiva das artes, que acontecerá nos dias 16 e 23 de outubro. Já o acompanhamento com a mestre dos saberes tradicionais, Mametu N’kise Muiandê será no dia 19/10, uma vivência aberta ao público com a participação dos alunos do Curso Imagens e Memórias das Áfricas da Escola Livre de Arte – Arena da Cultura, da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte.

E para finalizar, no dia 26/10 haverá a Mostra de Processos e um bate papo com as artistas participantes do projeto.

A MUNA

A MUNA foi criada em 2016, a partir de experiências pessoais e da constatação de invisibilidade de mulheres negras com representatividade na arte contemporânea brasileira, principalmente, no contexto das artes visuais. A ideia surgiu do fazer de mulheres negras que trabalham nesse segmento artístico e têm como objetivo principal o fortalecimento da rede de mulheres negras nesse nicho, a fim de incentivar e estimular o protagonismo destas artistas dentro do cenário da arte contemporânea.

Dados levantados pela MUNA em um mapeamento realizado em 2017, demonstram que menos de 10 por cento de artistas negras participaram da Bienal de São Paulo nas edições de 2012, 2014 e 2016. . Na somatória das 3 edições, de 390 artistas participantes, 154 eram brasileiros, sendo 45 mulheres e destas apenas 4 artitas negras. Por meio de ações específicas, a MUNA tem o intuito de se ater à formação, visibilidade e circulação, por meio de encontros, residências artísticas e intercâmbio de saberes, prezando sempre pela afirmação da identidade negra e disseminação de conceitos que abarcam a luta de mulheres negras.

A residência

A 1ª Residência de Jovens Negras nas Artes Visuais é uma iniciativa realizada pela MUNA, uma rede de mulheres negras nas artes que propõe a transformação por meio da imersão artística e da troca de experiências entre artistas negras da nova geração e de mestras de gerações anteriores. Em 2017, projetos de jovens artistas negras foram selecionados para serem viabilizados, juntamente com o acompanhamento e orientação de uma artista, uma curadora e uma mestra dos saberes tradicionais, durante 15 dias, na cidade de Belo Horizonte. Por meio de um edital de chamamento público, as jovens artistas foram convidadas a apresentarem projetos inéditos relacionados a questões como identidade, raça, feminismo e representação. Os principais interesses da residência são de mapear, difundir e fruir de novos discursos no meio das artes integradas.

As mentoras

Amanda Carneiro

Graduada em ciências sociais e mestre em história social, ambos pela Universidade de São Paulo (USP). Foi bolsista da Fundação Cultural Prussiana no Museu Etnológico de Berlim. Trabalhou como educadora e auxiliar de coordenação no Museu Afro Brasil. Foi uma das idealizadoras do projeto ÍRÈTÍ – Formação em Cultura Negra para Educadorxs. É fellow do Programa da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Década Internacional dos Afrodescendentes (2015-2024), participou do BBX – Crit Sessions, da 10° Bienal de Berlim (2018), na Alemanha e do Tate Intensive (2019), da Tate Modern, em Londres. Tem ensaios publicados em catálogos e revistas de arte e, atualmente, é curadora assistente no MASP, onde curou a exposição Sonia Gomes: ainda assim me levanto, em 2018.

Ana Lira

As experiências em que a artista procura estar presente passam por pilares que refletem como viver pode ser um ato político, pensando nas vivências coletivas como processos de mediação. Neste sentido, os projetos em que eu Ana Lira se encontra envolvida acontecem por meio de parcerias e criações coletivas, que observam as entrelinhas e articulações das relações de poder e que afetam nosso cotidiano e a forma como produzimos conhecimento no mundo.

As residentes

Dayane Tropicaos

Artista visual integrante e idealizadora do Cine Sem Churumelas, coletivo que realiza ações de fomento para produção audiovisual amadora e independente, com o qual participou da residência Reboque no JACA – Centro de Arte e Tecnologia (2016), do Ações Multiplicadoras da OIKABUM (2015) e da criação da publicação Filmes Feitos à Mão. Idealizadora do projeto O Inusitado Cabe Dentro do Comum realizado em espaços alternativos nas regiões periféricas da região metropolitana de Belo Horizonte (2015-2019). Participou das mostras de cinema Timeline – Festival Internacional de Vídeo de Belo Horizonte (2016), 1º ANIMACÊ – Mostra de Cinema de Animação do Cerrado (2015), 13ª Mostra do Filme Livre (2014), 15º FestCurtasBH (2013). Graduada em Artes Visuais pela Universidade Federal de Minas Gerais, participante da residência Bolsa Pampulha (2019).

Amália Coelho

Quilombola nascida em Arraial dos Crioulos, Minas Gerais, é antropóloga, videoartista, produtora audiovisual e mestranda em Comunicação. Atua no entroncamento entre Arte, Antropologia e Povos e Comunidades Tradicionais. Seu projeto de renascimento transatlântico “ÌPÒRÌ” integrou o Osun Osogbo Festival na Nigéria em 2018.

As idealizadoras

Fabíola Rodrigues

É artista/educadora pela Escola de Design da UEMG/MG, com especialização em História da Arte pela PUC/MG. Realiza, desde 2010 atividade de produção cultural com atuação em coletivos independentes.  Seu trabalho transita entre pesquisa, mediação cultural, curadoria e produção cultural em artes visuais e literatura, por meio da baquara, onde realiza assessoria e gestão de projetos. É co-idealizadora, curadora, pesquisadora e gestora na rede MUNA – Mulheres Negras nas Artes.

Mariana de Matos

É artista/educadora pela Escola de Design da UEMG/MG, com especialização em História da Arte pela PUC/MG. Realiza, desde 2010 atividade de produção cultural com atuação em coletivos independentes.  Seu trabalho transita entre pesquisa, mediação cultural, curadoria e produção cultural em artes visuais e literatura, por meio da baquara, onde realiza assessoria e gestão de projetos. É co-idealizadora, curadora, pesquisadora e gestora na rede MUNA – Mulheres Negras nas Artes.

Programação Completa:

  • 10 a 25/10 Residência Jovens Negras nas Artes Visuais
  • 16 e 23/10 – Cadeia Produtiva das Artes Visuais, oficina com Fabíola Rodrigues

Horário: 14h às 18h

Local: Tenda Bosquinho

Programação: aberta

Participantes: jovens de 15 a 18 anos

Inscrições: online ou presencial

  • 19/10 – Encontro com Mametu Munhandê

Horário: 10h às 12h

Local: Em frente a Mini Usina

21 a 24/10 – Montagem Mostra de Processos

Local: Mini Usina

  • 26/10 – Mostra de processo e bate-papo com as artistas

Horário: 10h às 16h

Local: Mini Usina

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Relaçoes-Públicas, redator, blogueirx, ativista negro e LGBT+.
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