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De Parada Gay a Parada LGBT: breve história da marcha pela igualdade

A Parada Gay acontece em junho, mês no qual se comemora as origens do Mês do Orgulho LGBTQ, uma celebração mundial de indivíduos LGBTQ e a história do Movimento LGBTQ.

Mais do que qualquer outro ano, acredito que este seja um dos mais importantes para entender o significado do mês do orgulho.

De acordo com o Grupo Gay da Bahia, em 2018 morreram de morte violenta (incluindo suicídio) 420 LGBTQs; em 2017 haviam sido 445 vítimas e, em 2016, 343. Produzido há 39 anos ininterruptos, o relatório identificou, no ano 2000, 130 mortes; em 2010, haviam sido 260.

“Para mim a parada LGBT foi um divisor de águas, tanto para a minha aceitação pessoal, como uma espécie de conforto, em saber que não estou sozinho nesse mundo”, diz Anderson, um amigo meu. “Há pessoas iguais ou semelhantes a mim. Vou todo ano com o maior orgulho e alegria do mundo”.

E isso não é pouca coisa, especialmente no momento em que vivemos. Se você quer entender mais sobre a Parada LGBTQ, continue lendo. Read More

Por que o Mês do Orgulho LGBT é importante?

Uma celebração anual do orgulho LGBT

Todos os anos, durante o mês de junho, a comunidade LGBT celebra de várias maneiras diferentes o Orgulho LGBT. Em todo o mundo, vários eventos são realizados durante este mês especial, como forma de reconhecer a influência que as pessoas LGBT tiveram em todo o mundo. Por que junho foi escolhido? Porque é quando os motins de Stonewall aconteceram, em 1969.

Além de ser uma comemoração de um mês, o Mês do Orgulho LGBT (Pride month) é também uma oportunidade para protestar pacificamente e aumentar a conscientização política sobre os problemas atuais enfrentados pela comunidade. Desfiles são uma característica proeminente do mês do Orgulho, e há muitas festas de rua, eventos comunitários, leituras de poesia, palestras públicas, festivais de rua e sessões educacionais, todas cobertas pela grande mídia e atraindo milhões de participantes.

A Parada do Orgulho de São Paulo é um dos maiores e mais conhecidos desfiles, com cerca de 3 milhões pessoas participando do último evento.

O Mês do Orgulho é tão importante porque marca o início de uma enorme mudança dentro da comunidade LGBT +, assim como as implicações sociais mais amplas. Embora as atitudes e injustiças ainda permaneçam, percorremos um longo caminho desde os motins de 1969 e, continuando nessa longa tradição, continuamos a aumentar a conscientização, melhorar as atitudes da sociedade e incentivar a inclusão. #Pride2019

Quais foram os motins de Stonewall?

Os tumultos foram provocados por um ataque que ocorreu durante a madrugada, no Stonewall Inn em Greenwich Village, Manhattan. A comunidade LGBT realizou uma série de manifestações espontâneas, muitas vezes violentas, para protestar contra a invasão e pedir o estabelecimento de lugares que gays e lésbicas pudessem ir e ser abertos sobre sua orientação sexual. Em tais lugares, não deve haver medo de ser preso. Os motins serviram como um catalisador para os direitos das pessoas LGBT, e dentro de 6 meses, dois grupos ativistas gays haviam se formado em Nova York. Ao longo dos anos desde o evento, muitas organizações de direitos dos gays foram formadas. Não apenas nos EUA, mas em todo o mundo.

O que é Orgulho LGBT ?

Orgulho lgbt

É um movimento que celebra a diversidade sexual. Para as pessoas lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (LGBT), é uma forma de protestar contra a discriminação e a violência. Promove a sua dignidade, direitos iguais, auto-afirmação e é uma forma de aumentar a consciência da sociedade sobre as questões que enfrentam.

Quem começou a celebração de junho?

Conhecida como a “Mãe do Orgulho”, foi Brenda Howard quem coordenou a primeira marcha do Orgulho LGBT. Além de estimular a ideia de uma semana de eventos em torno do Dia do Orgulho. Esses eventos então se transformaram nas celebrações anuais LGBT realizadas todo mês de junho.

História do movimento LGBT

Movimento LGBT no contexto histórico

A história do movimento LGBT traz em seus registros, relatos de relações amorosas e sexuais entre pessoas do mesmo sexo desde as civilizações antigas.

O movimento social de lésbicas, gays, bixessuais, transgêneros surge com o objetivo de defender pessoas LGBT+, buscando eliminar leis de sodomia e pede fim à discriminação contra pessoas LGBT+.

Movimentos sociais podem centrar seus esforços em direitos comuns, como a igualdade de casamento nos anos  2000, ou de liberação, como Libertação Gay das décadas de 1960 e 1970.

Anteriormente a esta época, os movimentos reuniram-se em prol da auto-ajuda e auto-aceitação, como o movimento homófilo dos anos 50.

Embora não exista uma organização mundial com enfoque na população LGBT e seus direitos, ao redor do mundo existem diversas organizações de direitos LGBT ativas.

Movimento LGBT: Onde e quando surgiu

No século 18 – e Europa do século 19, a relação entre pessoas do mesmo sexo e o cross-dressing foram vastamente considerados atos socialmente inaceitáveis.

De muitas maneiras a perseguição a homossexuais se tornou mais agressivas ao final da era vitoriana. No ano de 1885, a Emenda Labouchere tornava a prática sexual entre dois homens um crime.

Em 1895 uma acusação foi invocada com sucesso para condenar o dramaturgo Oscar Wilde com a sentença mais severa possível sob a Lei.

A partir da década de 1870, os reformadores sociais começaram a defender a homossexualidade, mas mantiveram suas identidades em segredo.

Uma sociedade secreta britânica chamada “Ordem de Chaeronea” realizou campanhas pela legalização da homossexualidade, e contou o dramaturgo Oscar Wilde como parte de seus membros nas últimas décadas do século XIX.

A Ordem de Chaeronea foi fundada por George Cecil Ives, um dos primeiros defensores dos direitos gays, que trabalhava pelo fim da opressão dos homossexuais, o que ele chamou de “causa”.

Na virada do século 20, surgia também na Alemanha um dos primeiros movimentos LGBT, direcionado pelo médico e escritor Magnus Hirschfeld. Em 1897, ele formou publicamente a campanha do Comitê Científico-Humanitário contra a lei notória “Parágrafo 175“, que tornava ilegal o sexo entre homens.

Apesar da formação de tais grupos, a atividade política dos homossexuais geralmente não era muito visível. De fato, os gays eram frequentemente perseguidos pela polícia onde quer que eles se reunissem.

Significado da sigla LGBT

LGBTQ + é um inicialismo que significa:

Lesbian

Gay

Bissexual

Transgender

Queer ou Questionamento

LGBT tem sido usado desde a década de 1990, após ter sido adaptado do LGB – que representava lésbica, gay e bissexual. LGB substituiu o termo gay em referência à comunidade LGBT em meados da década de 1980.

LGBTQ é o termo mais comumente usado na comunidade; possivelmente porque é mais amigável! Você também pode ouvir os termos “Comunidade Queer” ou “Comunidade Rainbow” usados ​​para descrever pessoas LGBTQ2 +.

Esse inicialismo e os vários termos estão sempre evoluindo, então não tente memorizar a lista. O mais importante é ser respeitoso e usar os termos que as pessoas preferem.

A Rebelião de Stonewall

A Rebelião de Stonewall, foi uma série de confrontos violentos que começaram na madrugada de 28 de junho de 1969 entre policiais e gays, lésbicas, transgêneros e drag queens fora do Stonewall Inn, um bar gay no bairro de Greenwich Village em Nova York . À medida que os distúrbios progrediram, um movimento dos direitos dos homossexuais nasceu.

Em 1969 lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (LGBT) não eram muito aceitos em Nova York e havia um estatuto criminal que permitia à polícia prender pessoas usando menos de três artigos de vestuário apropriados ao gênero.

Devido a isso, os indivíduos LGBT se reuniam em bares e clubes gays, locais de refúgio onde podiam se expressar abertamente e socializar sem se preocupar. No entanto, a Autoridade de Licor do Estado de Nova York penalizou e fechou estabelecimentos que serviam bebidas alcoólicas a indivíduos LGBT conhecidos ou suspeitos, argumentando que a mera reunião de homossexuais era “desordenada”.

Um local de encontro tão conhecido para jovens gays, lésbicas e pessoas transexuais era o Stonewall Inn, em Greenwich Village. Um bar escuro, pobre e cheio de gente, supostamente operando sem uma licença de licor.

Na madrugada de sábado, 28 de junho de 1969, nove policiais entraram no Stonewall, prenderam os funcionários por venderem álcool sem licença, agrediram muitos de seus clientes e levou várias pessoas LGBTs sob custódia. Foi o terceiro ataque aos bares gays de Greenwich Village em um curto período.

Dessa vez, as pessoas que se encontravam do lado de fora do bar não recuaram, muito menos dispersaram como quase sempre haviam feito no passado. A raiva tomava conta das pessoas enquanto viam os clientes de bar sendo forçados a entrar em uma van da polícia. Eles começaram a zombar e empurrar a polícia e depois jogaram garrafas e detritos.

Acostumados a um comportamento mais passivo, mesmo de grupos gays maiores, os policiais pediram reforços e fizeram barricadas dentro do bar, enquanto cerca de 400 pessoas protestavam. A barricada policial foi violada e o bar foi incendiado. Os reforços policiais chegaram a tempo de extinguir as chamas e acabaram dispersando a multidão.

Durante os cinco dias seguintes os protestos fora do Stonewall Inn permaneceram. Muitos historiadores caracterizam a revolta como um protesto espontâneo contra o assédio policial perpétuo e a discriminação social sofrida por uma variedade de minorias sexuais nos anos 60.

Embora houvesse outros protestos por parte de grupos de gays, o incidente de Stonewall foi talvez a primeira vez que lésbicas, gays e transgêneros viram o valor da união por trás de uma causa comum.

O Movimento LGBT no Brasil

No Brasil, a passagem dos anos 1960 para a década seguinte é marcada pelo endurecimento da ditadura militar. Um movimento estudantil questionador começa a ganhar visibilidade, mas seria duramente reprimido pelo regime durante aproximadamente duas décadas. Enquanto isso, grupos clandestinos de esquerda combatiam a ditadura.

Em meados dos anos 1970, ganha visibilidade o movimento feminista e, na segunda metade da década, surgem as primeiras organizações do movimento negro contemporâneo, como o Movimento Negro Unificado, e do movimento homossexual, como o Somos – Grupo de Afirmação Homossexual, de São Paulo.

movimento lgbt no brasil

A partir desse período, as publicações alternativas LGBTs tiveram um papel fundamental: o jornal O Lampião da Esquina, fundado em 1978, abertamente homossexual, embora também abordasse outras questões sociais, tinha o objetivo de denunciar as violências sofridas pelos LGBTs.

Em 1981, um grupo de lésbicas fundou o ChanacomChana que era comercializado no Ferro’s Bar, na capital paulista. A venda do jornal não era aprovada pelos donos do bar, e as mulheres foram expulsas.

Logo, elas fizeram um ato político, contra a proibição da venda do jornal, e por causa desse manifesto, foi criado o dia da visibilidade lésbica: 29 de agosto de 1996, onde foi realizado o primeiro Seminário Nacional de Lésbicas (Senale), na cidade do Rio de Janeiro.

Movimento LGBT: Principais objetivos

Por não se tratar de um movimento centralizado, com lideranças organizadas e definidas, é muito difícil afirmar com exatidão quais as pautas principais do Movimento LGBT.

Isso se dá, principalmente, porque os diferentes contextos sociais e políticos de cada país demandam uma atuação diferente. Entretanto, existem diversos objetivos comuns aos movimentos ao redor do mundo, como:

  • criminalização da LGBTfobia;
  • fim da criminalização da homossexualidade e das penas correlatas;
  • reconhecimento social da identidade de gênero;
  • fim do tratamento das identidades trans como patologias;
  • fim dos tratamentos de “cura gay”;
  • casamento civil igualitário;
  • permissão para casais homoafetivos adotarem crianças;
  • respeito à laicidade do Estado e fim da influência religiosa nos processos políticos;
  • políticas públicas pelo fim da discriminação;
  • fim dos estereótipos LGBT na mídia e representatividade da comunidade nos meios de comunicação.

Movimento LGBT: Conquistas

Homossexualidade não é doença

Desde a promulgação do Código Penal Imperial de 1830 não havia uma lei que punisse o amor com pessoas do mesmo sexo. Mas o “homossexualismo” ainda era rotulado na década de 1980 do século 20 como “desvio de transtorno sexual” no Código de Saúde do Instituto Nacional de Assistência Médica e Previdência Social.

Em 1981, o Grupo Gay da Bahia iniciou uma campanha nacional junto à sociedade civil, psicólogos e psiquiatras pela despatologização da homossexualidade. A vitória veio em 1985, com decisão favorável do Conselho Federal de Medicina. A despatologização ocorreu no Brasil cinco anos antes de a Organização Mundial de Saúde retirar a homossexualidade de sua lista de doenças.

Orientação Sexual

Na década de 1980, também se fortaleceu entre gays, lésbicas e bissexuais a defesa do uso do termo “orientação sexual” em oposição a “opção sexual”.

A briga é por demarcar que a homossexualidade não é uma escolha objetiva, mas tampouco uma condição biológica inata. O Grupo Triângulo Rosa, do Rio, realizou a defesa da inclusão do termo “orientação sexual” na Constituinte de 1987 em dois pontos: o artigo que veta discriminação por “origem, raça, sexo, cor e idade” e o que proíbe diferenças salariais motivadas por “sexo, idade, cor ou estado civil”.

A inclusão na Constituição não foi adiante, mas posteriormente foi adotada por legislações municipais e mesmo Constituições estaduais. No âmbito das Nações Unidas, o Brasil também marca posição contra a discriminação por orientação sexual.

Visibilidade

O movimento LGBT começou a ganhar também visibilidade massiva nas ruas na década de 1990. Em 1995, a Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans e Intersex realizou a sua 17ª conferência no Rio, que terminou com uma pequena marcha na praia de Copacabana.

Em 1996, um ato na praça Roosevelt, em São Paulo, reuniu cerca de 500 pessoas reivindicando direitos LGBT. A partir daquele ato, coletivos LGBT começaram a planejar a primeira parada LGBT do país, que aconteceu em 1997 na avenida Paulista, em São Paulo. Ela teve entre 500 e 2.000 pessoas. Hoje a parada é um dos maiores eventos da capital paulista, reunindo um público maior do que o de cidades inteiras.

União e casamento civil

Apesar de haver projetos de lei garantindo esses direitos desde a década de 1990 em tramitação no Congresso, tanto a união civil estável quanto o casamento entre homossexuais foram concessões do Judiciário. A união civil estável entre pessoas do mesmo sexo foi reconhecida em 2011 pelo Supremo Tribunal Federal.

Em 2013, o Conselho Nacional de Justiça permitiu o casamento civil entre homossexuais, assim como a conversão de uniões estáveis homoafetivas em casamentos civis.

Redesignicação sexual

Em 2002, o processo de redesignação sexual —popularmente chamado de “mudança de sexo”— do fenótipo masculino para o feminino foi  autorizado pelo Conselho Federal de Medicina. Desde 2008, passou a ser oferecido pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

Em 2010, o processo de redesignação do fenótipo feminino para o masculino também foi aprovado pelo conselho e passou a ser oferecido pela rede pública. A espera na fila pode durar, no entanto, mais de 20 anos, e apenas uma fração de trans homens e mulheres e travestis com interesse é atendida.

Nome social

O nome social é aquele que pessoas transexuais e travestis, por exemplo, usam para se identificar, mesmo quando não alteraram o seu registro civil, o presente no Registro Geral. Desde 2009, o Ministério da Saúde permite que esse nome seja usado no SUS.

Desde 2013, o governo federal permite seu uso no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Há também decisões em níveis federal, estadual e municipal nesse sentido que valem para órgãos públicos, instituições de ensino e empresas estatais.

Mudança no registro social

Em março de 2018, o Supremo Tribunal Federal determinou que transgêneros podem alterar em cartório o nome e o registro de sexo presente no registro civil.

Parada do Orgulho LGBT

O Mês do Orgulho Lésbico, Gay, Bissexual, Transgênero e Queer (LGBTQ) é celebrado todos os anos no mês de junho para homenagear os tumultos de Stonewall em 1969 em Manhattan. Os ataques de Stonewall foram um ponto de partida para o Movimento de Libertação Gay nos Estados Unidos. 

O ano era 1995 e a comunidade LGBT brasileira começou a dar os primeiros passos para o que conhecemos hoje como a Parada LGBT. Naquele ano, aconteceu no Rio de Janeiro a 17° conferência do ILGA (Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans e Intersex) que terminou com uma pequena marcha na praia de Copacabana.

No ano seguinte, aconteceu um ato na Praça Roosevelt, em São Paulo, com cerca de 500 pessoas para reivindicar direitos às pessoas LGBT. A partir daquele ato, diversos grupos em prol das causas LGBT começaram a se reunir para organizar uma marcha anual na Avenida Paulista. O movimento ainda era conhecido como GLS (Gays, Lésbicas e Simpatizantes).

Inicialmente inspirada pelas marchas que aconteciam na Europa e nos EUA, em 1997 aconteceu a primeira Parada LGBT na cidade de São Paulo, que contou com cerca de duas mil pessoas, quase um grão de areia perto dos milhões que comparecem nas paradas mais recentes da época.