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Sexo, Lana e cigarros

ler ouvindo: Lana Del Rey – Music To Watch Boys To

Era uma tarde de domingo e um calor terrivelmente insuportável tomava da cidade. Definitivamente odeio calor, é como se tudo se tornasse entediante e cansativo. Parecia que nada, nem o ventilador que rodava sob mim, poderia aliviar minha tensão.

Os últimos dias foram devastadores com calda de melancolia. Toda minha vontade era arrancar tudo o que estava me abalando e seguir, mas parecia emocionalmente impossível.

Permaneci o dia todo confinado em meu quarto, pensando sobre como nosso conto de fadas se tornou em um aterrorizante pesadelo. Mas não era preciso uma resposta, sabia exatamente o que precisava ser feito neste momento.

Apanhei meu celular que se encontrava sobre o criado-mudo e observei algumas notificações que se encontravam na tela, naquele momento nada me interessava, a não ser encontrar o que eu realmente necessitava.

— E ai, qual a boa pra hoje? – enviei presunçosamente para um cara que se encontrava em minha lista de contatos havia algum tempo.
— Opa, beleza? – fui notificado poucos segundos depois. – Estou em casa, cheguei de uma festa agora há pouco. E você?
— Estou em casa, mais precisamente na minha cama, entediado. Quer ficar hoje?
— Estou bêbado, jogado no sofá, culpa do álcool. Sozinho em casa… – bingo!
— Mas e sua mãe e irmã?
— Minha mãe está na casa da minha tia, minha irmã não faço ideia. – Acho que, apesar de todo o calor, algo soprava a meu favor.
— Então, o que me diz? – era hora do tudo ou nada.
— Acho uma ótima ideia. Em quanto tempo você chega?
— Quinze minutos, não mais que isto.

Bang! Pode parecer idiota e egoismo dizer isto, mas definitivamente nunca brinquei quando o assunto é encontrar um cara disponível. Às vezes me sinto na selva, em busca de uma presa pronta para ser atacada. Nunca estive com este antes e não sabia o que esperava por mim. Conversamos algumas vezes, mas nunca nos vimos. Apenas likes e likes.

Apressei-me. Coloquei um boné, peguei minhas chaves e o celular, saindo sem dizer para meus pais aonde ia. Ele morava no bairro ao lado, mas nada que necessitasse de pegar um ônibus, apenas apertei o passo para chegar em sua casa o quanto antes. O sol já tinha se posto no momento em que fui ao encontro dele, o que fez com que me esperasse na esquina, sob a luz de um poste.

Ele me cumprimentou, dando-me um beijo acompanhado de um abraço caloroso.
— Vamos entrar? – Indagou ele, gentilmente, abrindo a porta e dando-me a dianteira.
— Obrigado. – Agradeço.

Ao entrar, apesar de sabermos onde isto chegaria, não nos agarramos. Sempre me certifico de que não vou sair com qualquer cara, para ter certeza de não será apenas mais uma fast-foda. Sentarmos na sala, onde tocava uma playlist aleatória, muito agradável.
Permanecemos conversando sobre nossas vidas, faculdade, família e assuntos aleatórios. Não percebemos o tempo passar.

— O que acha de ouvirmos algo mais calmo? – Sugeri.
— O que indica?
— Lana Del Rey. – Foi que me pareceu mais apropriado para o momento.
— Acho que Lana pede cigarros. Aceita?
— Claro, ótimo acompanhamento.

Enquanto eu colocava a nova playlist, ele buscava os cigarros, dirigindo-se para o sofá novamente. Sentei-me ao seu lado, pegando o cigarro que me oferecia. Acendi, dando o primeiro trago, enquanto a música começava a tocar. Depois de algumas tragadas já era possível sentir o corpo mais leve, todo aquele stress que tomava conta de mim se foi.

Nos encontrávamos em silêncio, o ambiente foi embalado pela sonoridade suave das músicas e nossas trocas de olhares e leves risadas se intensificavam. Nossos joelhos se encontravam, roçando um contra o outro, provocando o início de um desejo corporal. Começou suavemente a acariciar minhas pernas, provocando cada vez mais minha vontade de ter seu corpo junto ao meu. Era minha vez de avançar.

Aproximei meu rosto ao dele, trocando olhares cada vez mais intensos e penetrantes. Agarrei a gola de sua camisa, fazendo com que nossos rostos se encontrassem, provocando um atrito entre nossas barbas.

Afastando seu rosto do meu, colocou nossos corpos a um braço de distância, o que não durou muito tempo, quando mais que depressa, fez nossos lábios se tocarem, fazendo com que meu corpo se incendiasse imediatamente. Correspondi ao beijo, pressionando meu corpo contra o dele, fazendo-o recostar sob o sofá.

Não demorou muito para entrarmos em uma harmonia e estarmos tomados de desejo. Nosso beijo era feroz, nossas mãos percorriam por nossos corpos, que neste exato momento se encontravam dominados pelo calor e entusiamo de nossos atos. Apaguei a luz. Apenas nossos corpos e a música se faziam presentes ali. Estávamos dominados um pelo outro.

Posso te beijar?

O relógio marcava quase oito horas e eu estava ainda me arrumando. Seria um encontro inesperado, marcado em cima da hora e sem pretensões. Havíamos marcado apenas meia hora atrás, de nos encontrarmos às 20, numa praça bem perto dali.
Saí às pressas e subi em direção à praça o mais rápido que pude. Cinco minutos e lá estava eu. Peguei o celular e liguei para ele.
– Alô? – Ele atendeu e pude ouvir, pela primeira vez, sua voz. Soava doce e tranquila.
– Aonde está você? – Perguntei, semicerrando os olhos, tentando o encontrar.
– Estou próximo ao coreto, de frente a fonte.
– Certo. Estou quase aí. – Desliguei e caminhei ao encontro dele.
Sem dificuldade nos encontramos.
– Oi. Boa noite. – Disse ele me abraçando.
– Ei. Boa noite. Como está?
– Bem e você? – Sorrindo timidamente.
– Ótimo. Obrigado.
– Podemos procurar um lugar para sentarmos? – Perguntei.
– Sim. – Ele respondeu, balançando a cabeça afirmativamente. – Mas não vi nenhum banco vazio.
– Vamos olhar próximo a fonte, talvez tenha algum. – Disse, tomando a dianteira.
Apesar de toda timidez, ele transparecia bem quem era. Um garoto de outra cidade, que veio à capital para estudar e não parecia ser o mais badalado. Caminhamos próximos aos chafarizes, calados, e sem muita dificuldade, encontramos um banco. Nos sentamos, e ali permanecemos conversando, sem muito sacrifício em encontrar assuntos, que nos renderam boas risadas. Seu sorriso espontâneo e perfeitamente delineado, me fazia querer sorrir junto. Seus olhos se destacavam em meio à noite escura. O cabelo cortado mostrava os cachos que tomavam forma novamente. Impossível não apaixonar-me. Quando nos demos conta, já havíamos conversado durante duas horas. A noite escura, o barulho da água jorrando e as poucas luzes, davam um clima romântico e intimista ao momento. Poderia ficar ali durante a noite inteira.
Interrompidos por uma ligação dos pais dele, eu sabia que seria nossa deixa. Não me contive em demonstrar o quão agradável foi ter o encontrado e ficar conversando durante horas. Levantamos e seguimos até a esquina em seguiríamos caminhos diferentes. Prostrados um de frente ao outro, sorrimos e trocamos olhares profundos. Risos.
– Obrigado por ter vindo. – Agradeci gentilmente.
– Foi bom, mas é uma pena ter que ir. Não esperava que meus pais chegassem agora.
– Tudo bem, nos vemos em outra oportunidade.
– Claro. Será um prazer. – Disse ele, seguido de um sorriso. E que sorriso. – Posso te beijar? – Perguntou-me, pegando de surpresa.
Milésimos de segundos para pensar e responder. Quem hoje pergunta se pode beijar alguém? A não ser em filmes, não consegui me lembrar da última vez que ouvi esta frase. Bem, como fosse, eu precisava dizer algo.
– Sim. – Foi tudo que disse. E em poucos instantes nossos lábios se uniram e nossas mãos se entrelaçaram quase que involuntariamente. Sentia o peso de seu corpo sobre mim. Os batimentos acelerados eram inevitáveis. Nossas línguas dançavam em perfeita harmonia. Pausa para rir. Mais um beijo. Pude sentir o mundo parar à nossa volta e depois voltar à realidade.
Nos abraçamos e despedimos pela última vez. Seguindo caminhos diferentes, mas que se cruzariam novamente.

Carta para um estranho

Querido (estranho) amigo,

Eu não sei quem você é, muito menos aonde está. E a vantagem disto é que eu também não preciso me identificar.  Poderia relatar sobre mim a qualquer pessoa ao meu redor, mas seria um tanto constrangedor. Diferentemente de alguém que nunca vi, pois assim os ocorridos aqui descritos certamente não voltarão a me cercar.

Tentei de várias maneiras contar a alguém, até que então, encontrei este endereço, sem nenhuma informação a mais. Apenas estava lá, como se pudesse ser a resposta aos meus pedidos. Senhor desconhecido, as coisas por aqui não estão muito bem.

Te escrevo porque acredito que possa me entender, mesmo não me conhecendo, e que né julgará da maneira como deve, sendo neutro. Já ouvir dizer que alguém de fora vê a situação de uma maneira diferente dos envolvidos.

A começar pela minha família, às vezes sinto que não faço parte dela. É estranho dizer isto, pois são minha família, entretanto ocorrem momentos em que não sou compreendido ou pareço o ser estranho. Isso me faz pensar se tenho problemas em casa. Às vezes estou feliz e outrora triste. E mesmo assim, consigo sobreviver.

Preciso dizer sobre a pessoa com a qual dormi uma única vez e nunca mais quis saber de mim. O motivo? O mesmo de sempre, sou apenas um amigo. Já cheguei a ouvir também que sou bom demais para ele e que mereço alguém melhor.

Acreditaria nestas palavras se fosse a primeira vez que alguém me disse isto. Eu não queria me afastar, mas fui forçado por atitudes do meu amado. Agora não sei o que faço, pois o mesmo que quis me afastar, me quer por perto novamente. Isso me faz pensar de deveria parar de amá-lo.

Por falar em deixar de amar, acredito que um amigo, se ainda posso chamá-lo assim, deixou de me amar. Digo isto por causa do jeito como ele me trata após alguns acontecimentos que envolveu uma pessoa muito próxima a mim.

Pergunto agora se ele deixará pessoas que dizia amar, de lado facilmente. Confesso que não vejo esforço em reaproximação. Então será que vale a pena lutar por esta amizade?

Querido desconhecido. Já está tarde e eu preciso dormir. Amanhã cedo vou aos correios lhe enviar esta carta. Espero que possa me entender e me aconselhar, é minha única esperança.

Obrigado pela atenção.

Com carinho,

– A

Lembranças (de você)

Já passava das duas da madrugada de uma noite escura e meus pensamentos não me deixavam dormir. A brisa entrava pela janela. Tudo começou a girar e mais uma vez, lembranças que me levaram até você. Lembranças do que já vivemos.

Lembrei dos nossos momentos juntos. Bateu saudades das noites de amor, do teu calor, das manhãs que despertava ao meu lado, dos teus carinhos, do teu beijo incessante. Me faz falta o jeito como segurava minhas mãos, a sua atenção.

O assobiar da brisa trouxe lembrança das músicas que cantava para mim ao violão. O seu sorriso era o mais bonito em um milhão. Aqueles dias foram bons, mas nada é como antes. Tenho que continuar.

Mesmo distante, ainda existe um grande sentimento em mim. Sem me dar conta, lágrimas começaram a rolar pelo meu rosto.  O silêncio rompeu meus pensamentos.

Me dei conta que todas lembranças fazem parte de um tempo que não vai mais voltar, que já não fazem mais sentido. Você sempre será aquele que fará meu coração bater mais forte e me fará perder os sentidos.

Vai passar, eu sei que passa, tudo passa.

Querido futuro marido

Querido futuro marido,

Eu sei que você poderá demorar dias, meses e até mesmo anos para vir ao meu encontro. Mas aonde quer que esteja, espero que esteja bem.

Talvez você ache que estou me precipitando em escrever esta carta. Porém preciso deixar claro alguns pontos essenciais, afim de que seja o primeiro e único em minha vida.

Se quer me conquistar, me convide para um encontro e me leve para jantar. Ficaremos a conversar sobre nossas vidas, medos, sonhos e loucos planos. Depois me leve até a porta de casa, me hipnotize com seu olhar de James Dean e tire meu fôlego com um longo beijo.

Lembre-se de no dia seguinte enviar uma mensagem, desejando bom dia, a qual responderei, agradecendo o quão agradável foi noite passada. Envie flores, chocolates e longas cartas de amor.

Se quiser ser um bom marido, terá que me aturar nos momentos de estresse e fúria. Me abraçar quando me sentir sozinho e me deixar sozinho quando não quiser ver ninguém. Me aturar com minhas manias e meu jeito estranho. Por favor, tolere minhas teimosias, mesmo que por coisas pequenas.

E se em cada briga não nos entendermos, me cale com um beijo. Me provoque e faça ter certeza que é ao seu lado que devo ficar. Me abrace forte para eu não ir. Me abrace quando eu estiver chorando, mesmo que o motivo não seja você.

Quero lhe dizer também que guardo todo meu amor para você. Vou tocar sua mão, mesmo que gelada e olhar no fundo teus olhos. Te darei longos beijos, até que fiquemos sem ar.  Te acordarei de madrugada para dizer que te amo (e para fazermos sexo). Estarei ao seu lado, sendo sua âncora, para que nos momentos de tormenta, não afundes.

Peço que cuides de mim, assim como cuidarei de você. Peço que tire muitas fotos comigo, mesmo que você não goste. É que eu quero ter uma recordação de cada dia feliz ao teu lado. E se o nosso dia não for feliz, que tiremos todas as lições possíveis desse dia.

E por fim, peço que sempre melhoremos e busquemos sempre nos manter unidos. Peço que sempre continue sendo você mesmo, e que jamais mude para tentar agradar alguém. Porque eu te amarei exatamente do jeito que você é.

Peço que me ame sempre, e que jamais pense em desistir de mim.

Com todo meu amor,

Seu futuro marido.

Primeiro amor

Já fazem alguns verões, seis pra ser mais exato. Me lembro da primeira vez que nos vimos, erámos apenas adolescentes. Basta apenas fechar meus olhos e começo a lembrar. Você estava lá, duas mesas depois da minha. Um corpo delgado, olhos castanhos escuros e um olhar profundo, lábios grossos e arroxeados. Nada havia me chamado atenção em ti, a não ser o fato de sermos os únicos naquele local. Lembro-me de ficar lhe observando por alguns instantes, até que olhou em minha direção. Nossos olhos se cruzaram, enfeitiçando um ao outro, e soube, naquele momento que dois corpos podem se envolver, sem mesmo se tocarem.
Agora, nada mais importava ali. Ainda encantados, começamos a seduzir um ao outro, dois jovens fascinados. Precisávamos nos encontrar, dizer as primeiras palavras, nos tocar, nos beijar e ter certeza de que seria uma história de amor. E num instante estávamos lá, sozinhos, nos amando, perdidamente apaixonados, eu era seu e você meu.

Se passaram quatro estações. E assim como elas chegam ao fim, uma história de amor também chega.

Uma volta no parque

Já havia amanhecido quando levantei para ir à cozinha. Verifiquei a sala e me deparei com resquícios de uma noite badalada, e nos quartos todos ainda dormiam como crianças.

Olhei meu reflexo no espelho do corredor, não estava tão mal. Dirigi-me para a cama novamente, deitando cuidadosamente ao lado dele, que dormia com um ar serene, como se aquele momento não tivesse fim. Reclino-me ao seu lado, envolvendo meu braço em seu corpo e então fecho meu olho.

Ao contrário do que pensava, ele já estava acordado, então se vira para mim, dando um beijo em meu rosto. Passo a mão em seus cabelos negros e olho em seus olhos, me transmitem paz e conforto.

— Bom dia. Dormiu bem? – pergunto instintivamente.

— Sim e você? – ele responde imediatamente, me segurando pela mão.

— Está tudo bem?

— Não, na verdade. Recebi uma mensagem. Era minha mãe me avisando sobre o almoço em família e pediu para estar em casa na hora do almoço.

Ok. E agora? Foi tudo que passou pela minha cabeça. Havíamos planejado passar a manhã juntos e em seguida levá-lo à rodoviária. Penso por alguns segundos antes de respondê-lo.

— Melhor nos apressarmos senão terá problemas.

— Tudo bem, temos algum tempo. – Estas palavras me deixaram mais aliviado.

— Tem certeza?

— Sim.

— Acho que vou me banhar, aproveite para juntar suas coisas.

— O.K. O farei.

Apressei-me e tomei uma rápida ducha. Logo após sair do banheiro, ele fez o mesmo.

Sem nos despedirmos de ninguém, nos apressamos para sair. Enquanto esperávamos o elevador, me viro para ele e o observo por alguns instantes. E apesar do inesperado, sua expressão não demonstrava desespero ou preocupação. Como resposta ao meu olhar, ele sorri.

O elevador se abre a nossa frente deixo que entre primeiro. Damo-nos conta que não fizemos o desjejum, então sugiro de irmos à padaria que fica a dois quarteirões do prédio.

Rapidamente chegamos à padaria, aonde já havia muitas pessoas tomando café da manhã.

— Você precisa comprar a ficha antes. – Informo a ele.

— Hm. Certo. Acho que vou querer uma coxinha e Coca-Cola.

— Eu fico com pão de queijo e uma Coca-Cola.

Compramos nossas fichas. Enquanto faço nossos pedidos, ele se dirige para uma mesa vazia. Sento-me de frente e estendo a mão entregando a lata de refrigerante. Após nos alimentarmos estamos mais dispostos, aproveitamos para decidir o que fazer antes de seguir para a rodoviária. Descemos a rua e seguimos pela avenida que se encontrava tomada por pessoas fazendo compras na feira.

— Quero um colar de âncora. – Ele disse. Então caminhamos próximo às barracas, olhando para ver se encontrávamos algo.

Sem sucesso em nossa busca chegamos à porta do parque. Pergunto-lhe se gostaria de entrar e ele assente com a cabeça afirmando que sim.

Entramos e seguimos por uma pequena trilha sem rumo.

— Para onde vamos? – Pergunta-me curioso.

— Tem um lugar bonito para tirar fotos aqui. – Digo sem dar detalhes.

— Apesar de ser no meio da cidade, o parque para mais extenso por dentro do que por fora. Há muito que ver e fazer por aqui. O teatro, os lagos, o coreto, os brinquedos de diversão, a parte de lazer e centenas de árvores.

— Parece incrível, gostaria de ter mais tempo para conhecê-lo por inteiro.

— Haverá outra oportunidade. – Digo sugestivamente.

— Assim espero.

Ao final da trilha chegamos à beira de um dos lagos. Haviam poucas pessoas por ali, mas era notória a presença de alguns casais. Sentamos na grama próximo a uma árvore e tiramos algumas fotos. Estas que deixariam aquele momento registrado. E apesar de estarmos correndo contra o tempo, parecia que o relógio havia parado e nos deixado eternizar aquele momento. Éramos apenas ele e eu.

Onde estivera este tempo todo? E o que teria o trago até mim? Pergunto-me. E sem chegar a uma conclusão, me volto a ele. Seu cabelo caia levemente sobre seu rosto, os óculos escondiam seu olhar. O sorriso discreto em seu rosto parecia demonstrar que não nada lhe preocupava e queria ficar ali por um longo tempo.

— Ei. – chamo por sua atenção. — Temos que ir, já deve estar próximo de sair outro ônibus.

— Vamos, mas antes quero ir à ponte. – Em formato côncavo, a ponte leve a uma pequena ilha no meio do lado. Observamos o parque por mais um momento e aproveito para tirar mais algumas fotos dele. Logo em seguida o acompanho ao descer a ponte, se encaminhando para o coreto e digo que a saída fica logo à frente.

Voltamos para a avenida. Em questão de minutos estaríamos na rodoviária. Caminhávamos silenciosamente quando passamos em frente a uma loja de doces. Volto à porta e entro, escolho alguns bombons, pago e logo estamos de volta ao nosso destino.

— São pra você. – Entrego-lhe o embrulho com os bombons.

— Sério? Obrigado. Você é um amor.

— São pra adoçar sua viagem de volta. – Respondo sem graça.

— Escolha um, faço questão. – Ele insiste. Recuso algumas vezes, mas acabo pegando um.

Passamos pela Praça Sete e em questão de minutos chegamos ao guichê da rodoviária para comprar a passagem. O próximo ônibus sairia em trinta minutos. Compramos e descemos para a plataforma de embarque.

— Obrigado por ter vindo. – Agradeço.

— Obrigado digo eu. Foi bom ter vindo para cá, a noite passada foi incrível e divertida. É uma pena ter que ir tão cedo, queria ter aproveitado mais. – Ele responde aliviado.

— Sabe que se quiser voltar será sempre bem-vindo. Estarei sempre aqui.

— Nem sei como agradecer pelos últimos dias. Toda força e atenção que tem me dado estão sendo de grande ajuda. Obrigado, de verdade.

Passo uma mão por sua cintura e com a outra acaricio seus cabelos. Ele encosta o queixo em meu ombro. Abraçamo-nos demoradamente. Faltavam poucos minutos para o ônibus dar a partida. Finalmente nos demos que era chegada a hora de nos despedirmos.

Adeus ou até logo? Talvez fosse cedo demais para ter certeza, era o começo de algo que ainda não sabíamos bem o que era. Demos um demorado beijo e ele seguiu para a porta do ônibus. Aceno me despedindo e ele acena de volta.

Enquanto me olha fixamente, adentro seu olhar. Meu mundo parou. Seria possível um amor eterno e sem fim num encontro assim? Será que o encontraria novamente pela cidade? Será que o tocaria novamente? Será que voltaria a falar em seu ouvido outra noite?

Muitas perguntas que precisavam de respostas, mas que só surgiriam com o tempo. Como uma tempestade perfeita ele veio e deixou um arco-íris no meu céu. Nós havíamos criado nosso país das maravilhas. Bastou apenas um olhar para não esquecer. A distância não perdurará, o tempo o trará de volta.