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Quando a tecnologia se fez minha inimiga


Lá estava ela ao meu lado. Uma pequena caixa que envia e recebe milhões de informações. Não sei como tudo funciona ao certo. Meus ancestrais com certeza diriam que é mágica. Não é algo que funciona com um estalar de dedos, apesar de, apenas com um toque poder ter o mundo na palma da mão.

Estou aqui, mas também do outro lado do mapa. É tão instantâneo como acordar e abrir os olhos. Se bem que mágico não seria um termo tão inapropriado. Não seria, se a esta já não tivessem dado o nome de tecnologia.

 
Ela me acompanha aonde quer que eu vá, minha vida é movida por ela. É tão bom poder tê-la ao meu alcance quando mais preciso. A tecnologia, em sua magnificência, como não amar?

Difusão de conhecimento e informação, proporciona oportunidades para artistas mostrarem seus trabalhos, conecta pessoas e imensa lista de vantagens que dificilmente poderia aqui listar. Mas não se engane. Ela pode ser uma cobra em pele de cordeiro.
 
E foi numa tarde de domingo que a tecnologia se fez inimiga.
 
Minha fiel e inseparável amiga, estava ao meu lado, em um de seus formatos mais compactos, o celular. Ele, que me conhece tão bem e leva consigo informações que talvez nem me recordo.  

Sempre atencioso e gentil, me informou que algo havia sido enviado para mim. Olho para a tela e vejo que era uma mensagem um aplicativo de relacionamento que eu, comumente, fazia uso. Me deixo levar pela vontade de acabar com o tédio e conversar com alguém.
 
E naquele instante nada mais parecia fazer sentido. Fui enganado. Não era uma mensagem. Era a tecnologia me atacando, dentro da minha própria casa.

Como aquilo poderia ser possível? Logo ela, de quem sempre fiz bom uso. Meu corpo congelou e foi tomado por nojo e temor. Palavras de ódio, insultando quem eu sou, minha cor, o meu cabelo. Nada fazia sentido. O que eu tinha feito de errado para merecer aquilo?
 
Artificial e inteligente, mas como ela poderia me atacar de tal maneira? Foi então que me lembrei de que ela tinha acesso às minhas informações e fotos. Não só ela, mas outras pessoas que também fazem uso do aplicativo.
 
E foi aí que ela se fez inimiga. Aliada a outro alguém, que não fazia seu uso da mesma maneira que eu. Um ser que, mesmo de longe, pôde entrar na minha vida e causar-me um pequeno desconforto.  Sem conhecer de fato quem eu sou, utilizou-se de aspectos que, aos seus olhos, não são apropriados para mim. Na verdade, para ele.

A minha cor preta, o meu cabelo vermelho, o meu jeito de vestir e meu jeito nada másculo. Para ele, se unir à tecnologia para tentar me atacar, pareceu a maneira mais fácil de mostrar que não é alguém corajoso. O ódio que fere e mata quem não se encaixa no filtro padrão chegou a mim de uma maneira tão sutil, mas que abalou meu emocional.
 
Quanto a mim, seria mais fácil baixar a cabeça e me retirar dali. Esquecer que a tecnologia sempre foi boa comigo e me proporcionou momentos e oportunidades que jamais posso esquecer. Sem ela, possivelmente não teria coragem de mostrar meu cabelo colorido ao mundo e sair na rua tendo orgulho de quem sou.
 

A solidão da bicha preta

Olá querido (a) leitor (a). Sou eu, Devonne, de volta com mais um texto que reflete um pouco sobre a realidade de algumas pessoas.

Como pode ter reparado, o título é bastante claro (diga-se de passagem, obscuro), ainda que não seja visível para as pessoas ao nosso redor.

Um leitor, que aqui irei identificá-lo como F, me enviou um relato acompanhado de um pedido, para que escrevesse um texto abordando este tema.

Em sua mensagem, F me contou que ao ir em uma festa LGBTTQ+, pode perceber certo desconforto ao se lembrar do trecho: “ser inteligente, gostar de estudar e ter planos para o meu futuro não era o suficiente, não para outros gays, não para ser parceiro de alguém… “, presente em meu texto “Ser negro e gay: dois pesos diferentes” e como aquilo o fez refletir sobre, especificamente, como caras gays se relacionam ou simplesmente escolhem seus casos de uma noite de balada.

Preciso afunilar mais a situação para chegar a problemática em questão: quanto um cara negro gay, precisa provar que é suficiente para outro cara? A verdade é que ele não precisa provar nada. Mas, se tratando de uma sociedade baseada em ‘esse é meu gosto’, esse cara estará sempre a prova de ser bom o bastante ou não para as pessoas.

Me lembro das diversas vezes que, ao ir para uma boate ou festa com os meus amigos, eu era a última ou, até mesmo, nem era a opção de alguém.

Isso tudo porque eu não fazia “o tipo deles”. Por estas e outras situações, sempre passava horas me olhando no espelho, perguntando se havia algo de errado em mim.

“Sou rejeitado pelo brancos por ser negro, pelos negros por ser gay e pelos gays por ser afeminado” – RuPaul.

Vivemos num país que, mesmo miscigenado, sempre esteve preso a um estereotipo da beleza euro centrada, ditada como um padrão ideal de ser, assim bem como, de busca por um parceiro que assim o seja.

É por isso, meu caro leitor, que quando digo: o nosso “gosto pessoal” é construção social, não deixo de reafirmar que baseamos nossos desejos naquilo que nos é apresentado diariamente, seja nas revistas, televisão, nos filmes e até na internet.

“É, ela não tem do que reclamar, afinal, está rodeada de pessoas – mas a realidade é que ela é a menos desejada.”

Ah, a bicha preta efeminada. Caricata, engraçada e querida por todos – quando está fazendo uma piada e sendo o centro das atenções. É, ela não tem do que reclamar, afinal, está rodeada de pessoas – mas a realidade é que ela é a menos desejada.

Não é de hoje que essa zombação mascarada de brincadeira, está presente a vida do cara negro gay. Nos anos 90, o Brasil já ria da figura da bicha preta, interpretada pelo Jorge Lafond, no programa Os Trapalhões.

Quem não se lembra da querida Layla Dominique? Que Deus a tenha. Preta, feia e engraçada, se tornou um viral nacional, vítima da zombaria na internet. Será que são necessários mais exemplos de como o gay negro efeminado é visto pela sociedade?

Mas ah, deixa de besteira, já fiquei com gays negros. Hipoteticamente falando, quais os motivos já te levaram a ficar com um gay negro? Pensou? Agora, como poderiam os gays negro serem desprezados? Afinal, quem não gosta de um negão?

É aí que você se engana. O nosso clamor como negros e gays, vai muito além da objetificação do corpo.

Gays negros são em sua grande maioria os mais pobres, os mais caricatos e os menos desejados. Sem contar quando são gordos ou magros demais e principalmente os afeminados! Quantos de nós não fomos chamados de Vera Verão, Bicha Louca e Neguinha? – Tudo em tom de deboche.

Esses são, sem dúvida, os que mais sofrem com a solidão e a desvalorização presente em nossa sociedade. Ora por outros grupos étnicos ou sociais, outrora por seus irmãos negros. Por não ser másculo o suficiente, a sua dor enquanto negro e gay, é praticamente silenciada pelo movimento, gerando uma grande falta de empatia.

NINGUÉM QUER A BICHA PRETA!

A verdade que choca e causa espanto é essa: ninguém quer a bicha preta. A menos que seja para uma transa casual, no sigilo. Não é mimimi ou vitimismo, é a pura verdade. Nenhum cara quer ser visto com outro negro por aí, apresentar para os amigos ou, até mesmo, para a família. Não importa o quanto ele mostre que é inteligente, companheiro e até bonito, será sempre a segunda opção, simplesmente por não ser padrão.

Desde de criança, precisamos lutar contra nossos trejeitos, pois, se não tivermos um jeito mais masculino, facilmente viramos alvo de piadas. Nós bichas pretas, lutamos contra racismo, homofobia, hipersexualização e uma série de preconceitos pessoais, que acaba por destruir nossa autoestima.

Durante a nossa construção como seres integrantes dessa sociedade, passamos parte de nossas vidas cercados de traumas, como se fossemos lixo, um nada. Ainda assim, precisamos buscar aquela força escondida, quase aniquilada por todas as opressões, para continuar vivendo e ter um mínimo de autoestima para sair sem ter medo de sermos nós mesmos. Se sentir assim é muito frustrante, triste e doloroso.

Por sorte, alguns de nós amadurecemos e percebemos o quanto estamos presos em um sistema e tentamos alertar nossos irmãos – e toda a sociedade; mas só ouve quem quer. Dia após dia, o silêncio tem sido quebrado e, felizmente, pessoas como Liniker, Rico Dalasam e Mc Linn, tem ajudado a dar voz ao movimento, levando o empoderamento para o mundoatravés da arte, debates e redes sociais.

O empoderamento negro é uma luta diária.Não é puro narcisismo. É resistir, é afrontar, é cultivar um amor que nunca foi lhe oferecido. A solidão da bicha preta existe e perdura por décadas. Precisamos da empatia de nossxs irmãos e irmãs negrxs, esta é uma luta nossa!

E por favor, não tente deslegitimar nossa causa. Não tente silenciar ou diminuir um (a) pretx, que exalta sua própria beleza e qualidades. Afinal, se ele não o fizer, quem o fará? Já não basta as diversas dores e exclusão às quais fomos submetidos? É vez de nós, bichas pretas, mostrarmos quem somos e o que sentimos.

Esse texto vai para meu querido leitor F e todos aqueles, que assim como nós, já se sentiram ou perceberam a exclusão vivida por gays negros. E não se esqueça:

VOCÊ É MAIS, VOCÊ É MARAVILHOSO!

Força para todos nós!

Mesmo depois de todo esse tempo


Incrível como a gente sempre idealiza o grande amor da vida. Incrível como eu sempre tive certeza de que éramos feitos um para o outro e de que nada poderia abalar a nossa relação. Sempre estive muito certo disso e nunca me passou pela cabeça, na verdade passou, mas de maneira irrelevante, que um dia não seria mais você e eu, eu e você.
Já se passaram alguns meses desde que você me disse “adeus” e, por maior que seja a minha raiva, não consigo te odiar por completo, porque parte de mim ainda te ama, ou acha que te ama. Fiz terapia, fiquei com outras pessoas, conheci novos lugares, escutei novas canções e adquiri novos hábitos, tudo na tentativa de “superar” você. Por um tempo acreditei ter superado. Porém, toda vez que lhe vejo, sinto calafrios, um aperto enorme no coração, uma sensação de vazio e o pior, uma angustia acompanhada de tristeza. É um misto de sensações que nunca tive por alguém e que nunca pensei que pudesse ter um dia.
Te vejo feliz, sorrindo, às vezes esnobando, beijando outras pessoas, seguindo a vida e isso me machuca mais ainda, porque o egoísmo bate na porta e logo vem um pensamento de “por que ele não está sofrendo também? Por que só eu sinto essa dor até hoje?”
Talvez porque eu tenha te amado tanto e de uma maneira errada, te colocando acima de qualquer coisa – acima de mim, mas me parecia tão certo fazê-lo, seu sorriso me alegrava, seu abraço era um conforto, seu simples “bom dia amor” fazia com que meu dia fosse melhor, te tocar me aguçava todos os sentidos e um turbilhão de pensamentos, te ter ao meu lado era como ser um super-herói e ter a cidade ao meu redor, me adorando, me amando.
Sempre ouço e leio as pessoas falarem sobre superação, mas não acho que eu vá lhe superar. Porque não tenho o que superar. Apenas aceito o fato de que não fomos feitos um para o outro e que, apesar disso, você vai continuar sendo o amor da minha vida. 
Espero conseguir seguir com a minha vida, dar espaço para uma nova pessoa, aceitar um novo amor, que desperte em mim o que você despertou. E que desta vez eu faça diferente, não amando menos, mas amando da maneira certa e me amando em primeiro lugar. Afastar as pessoas de mim tem se tornado um hábito, evitar segundos encontros já é rotina, escuto uma palavra carinhosa e já fico com medo de todo o processo, porém estou em tratamento, físico e emocional. Não sei se quero ou consigo ter um segundo grande amor, minha cicatrização ainda não terminou, então tudo dói, gradativamente mais leve, porém dói.
Creio que futuramente estarei lembrando disso com um sorriso no rosto e pensando “não achei que fosse passar, mas passou”!

Desabafo sobre fugir da realidade

Não tem sido tempos fáceis para mim. Na verdade, acredito que para ninguém. Parece que a cada dia os problemas só aumentam e aqueles que já existiam, não tem solução. Eu deveria ser grato pela vida, na verdade eu sou. Depois de já ter passado por muitos problemas desde criança, ter chego até aqui é uma dadiva. Nunca fui muito próximo da minha família e não cresci ao lado do meu pai, o que me fez crescer muito rápido e precisar tomar muitas decisões sozinho.
Os últimos meses foram, sem sombra de dúvidas, muito turbulentos. Pessoas se foram, descobri falsas amizades, intrigas envolvendo pessoas próximas e desentendimento familiar. Por diversas vezes fingir estar bem. Colocava um sorriso no rosto, ignorava estas questões e fingia para mim que estava tudo bem. Sempre fugindo da realidade para não encarar estes problemas. Talvez por medo, talvez por não saber como lidar com eles.
Quem me conhece sabe que sou uma pessoa muito tranquila e sempre me mostrei ser uma pessoa feliz, transparecendo ser um poço de alegria. Nunca fui de ficar “chorando” na internet, desabafando com amigos ou andar triste por aí. Possivelmente o maior erro foi ter ficado calado por tanto tempo. Todas as vezes que guardava magoas, eu só me alimentava de dor, me tornando uma pessoa angustiada e que em certo momento desabaria e se afogaria na correnteza de mágoas que estava dentro de mim.
Quantas vezes passei noites em claro e pela manhã tentava esconder as olheiras com um corretivo. Por anos fingi estar bem por me achar forte o suficiente e não precisar de ajuda. Por vergonha de parecer fraco, nunca me abri demais com as pessoas por achar que ninguém poderia me ajudar. E então, para fugir mais da realidade, me joguei nos estudos, muito trabalho e passava o restante do tempo me divertindo.
E assim meus problemas se tornaram meus monstros. Hoje eles voltaram e me assombram. É difícil ter que encará-los num momento delicado da vida. Estou me formando e as inseguranças sobre o meu futuro me rondam. Tudo isso tem criado uma bola de neve que já quase não é possível aguentar mais.
Em certo momento é preciso parar e refletir sobre a vida. Analisar o que está acontecendo e se perguntar o porquê disso tudo. Não dá para sair culpando a vida e dizer que tudo é carma. Por diversas vezes ignorei os problemas e agora preciso enfrentá-los com sabedoria, buscando me tornar alguém melhor. Foram as minhas escolhas que estão refletindo no meu presente. Foram as atitudes não tomadas ou mal pensadas que estão cobrando ser alguém mais forte e melhor. Eu achava que os dias estavam passando muito rápido e sem sentido, até o momento em que resolvi mudar e buscar enfrentar a realidade cara a cara. Talvez só fosse preciso aceitar que a vida não é perfeita, sou um ser humano e frágil. Que pedir ajuda não é errado, mas aprisionar medos e monstros dentro de mim nunca foi a melhor opção.

Às vezes é preciso reaprender

Durante minha viagem de férias, uma das coisas que pude fazer foi pedalar tranquilamente pela cidade. Na primeira tentativa acabei passando mal. Já fazia bastante tempo que não praticava atividade física. Não desisti. Num outro dia comecei a pedalar mais vagarosamente, trabalhando a respiração e o ritmo. E assim fui durante todo o percurso até chegar ao destino final.

Às vezes temos a sensação de que para reaprender amar é necessário um acontecimento extraordinário em nossas vidas.  Que é preciso que alguém nos ensine aceitar, nos devolva a confiança e nos faça sorrir novamente. A verdade é que precisamos dar uma segunda chance a nós mesmos e nos preparar para mais uma caminhada. Assim como a falta de exercícios nos enferruja, a falta de amor pode nos tornar pessoas amargas.
(Re)aprender a amar pode ser praticado diariamente e depende de nós. É preciso acreditar que somos capazes, que podemos fazer mais por nós mesmos. Amar a si mesmo o torna alguém mais interessante aos olhos dos outros. Mas isto só será possível se recomeçar novamente. Quando fazemos algo por prazer, todo o nosso ser cresce. Quando nos abrimos, descobrimos o melhor de nós mesmos. Assim o amor chegará como uma recompensa, não como uma necessidade.

Alguém como você

Eu sei que você é o tipo de cara com o qual não posso me envolver. Se tratando especificamente de nós, é algo que jamais poderia acontecer. Já faz quase um ano desde que nos conhecemos. Tudo começou com aquela sutil troca de curtidas em fotos, o que com o tempo se tornou apenas amizade. Por vezes imaginei se ultrapassaríamos disto. Os meses se passaram sem nenhum avanço. Não sei como você chegou a mim, mas hoje está aqui. Um anjo com um olhar profundo e misterioso, indecifrável. Ao passo que está perto, te sinto tão distante. 
Toda vez que te encontro me devolve a paz. Seu abraço e suas palavras me matam e devolvem a vida. Queria encontrar as palavras das certas para descrever este sentimento invisível como o ar. Correria sobre o fogo para que você não sentisse dor alguma. Porque as chances de encontrar alguém como você é uma em um milhão. Quero estar ao teu lado nos dias de sol e te confortar nos dias de névoa. Em seu sorriso existe o paraíso e em sua voz a calmaria. 
Nuca tinha pensado que poderia te dizer isto. Me parece tão errado me apaixonar por você. Mas estarei esperando, venha me acalmar.

Última carta para você

Ler ouvindo: Kesha – Last Goodbye

 
Olá,

Espero que onde estiver, esteja bem. Eu estou sozinho aqui esta noite escrevendo-lhe esta carta. Não espero que você a receba, muito menos que a leia.

Mas não se preocupe, será a última vez que lhe escrevo. Escrevo mais uma vez, tudo aquilo que, provavelmente, não conseguiria lhe dizer. Por medo de te magoar, por falta de coragem e ser fraco para te dizer tudo que sinto. 
 
Estive no passado por alguns instantes e me lembrei dos momentos que tivemos juntos. Por alguns segundos posso até sorrir, mas as lágrimas não demoram muito para cair.

Me lembro do nosso primeiro encontro, nosso primeiro beijo. Algo sempre me leva de volta a você. As palavras ditas, todos os planos feitos e o modo como conquistou. Aos poucos roubou meu coração, me hipnotizou e caí de joelhos para você. Me tornei escravo do teu amor. 
 
Noites sem dormir desde que você se foi. Levou contigo minha sanidade. Eu caí aos pedaços como um castelo de cartas. Será que estou ficando louco?  Você me enlouqueceu.

Apesar de tudo você ainda faz meu coração pular. Eu só queria saber por que você fez com que eu me apaixonasse se era tudo uma fantasia. Por que me conquistou se era tudo uma ilusão? 
 
Foi bom, foi real. Para onde foi o amor eu não sei, mas me queimou demais. Em um instante você estava aqui, mas agora se foi. Me sinto dilacerado e vazio por dentro. Agora você faz parte de tudo que já perdi e nunca mais terei de volta.

Eu sinto falta dos seus olhos escuros, sinto falta das nossas brincadeiras bobas, sinto falta de comer pizza com você, sinto falta de arranhar nossas barbas, falta do seu abraço. Mas não havia um pote de ouro no final do nosso arco-íris. 
 
Eu provei um pedaço do seu doce amor. Acreditei que poderíamos ter um amor melhor. Não foi o suficiente. Eu não te odeio, mas não te amo mais. Amei o tempo que passamos juntos, mas é preciso continuar.

Espero que seja feliz. Você foi o meu veneno e a minha cura. Eu sobrevivi ao seu amor. Hoje vivo para esquecê-lo. 
 
Cordialmente,
Baby.

A tal da amizade liberal

É bem provável que o nome te faça lembrar da tão conhecida amizade colorida. Mas não, não são a mesma coisa. A famosa amizade colorida é, nada menos que, um namoro que não se assume. Já a amizade liberal, é quando dois amigos tem o desejo de manter relações sexuais e conseguem dar espaço a esse desejo sem a obrigação de envolvimento amoroso e sem drama.

Não pense que você tem uma caixinha de primeiros socorros à disposição. É algo mais casual. Mas, em compensação, é algo mais seguro e melhor do que transar com qualquer um por aí. É nessas horas que a intimidade age. Mesmo dando vasão para aproveitar e saciar o desejo, não pensam em manter um relacionamento.

Há quem diga que não gosta deste tipo de amizade, mas ela tem lá suas vantagens. Não é preciso dizer ao outro que ama e ficar despreocupado com a vergonha de realizar algum desejo na cama. Afinal, a intimidade é o que rege a situação.

Sexo sem compromisso, por assim dizer, é a premissa dessa relação em que não acontece o envolvimento efetivo amoroso ou, pelo menos, se espera que não. Talvez seja uma saída para aqueles que não querem se envolver exclusivamente com alguém, mas não dispensa um sexo casual.

Contraindicação? Pode acarretar na brecha de um sentimento no momento em que você estiver em busca por uma paixão verdadeira.

Reflexos do nosso passado

Acordei e tudo parecia estar bem. Era mais um dia rotineiro. Me olhei no espelho e nada parecia ter mudado. Era quem sempre fui. O mesmo cabelo, as mesmas roupas, o mesmo corpo. Mas havia algo estranho no ar. Olhei ao meu redor e percebi que algumas coisas estavam fora do lugar. Na lixeira, fotos de momentos prazerosos rasgadas e cartas de amor queimadas. No ar, uma sensação de desconforto. Um calafrio tomou conta de meu corpo e me estremeci por inteiro. O ar ficou gelado.

Ao olhar meu reflexo mais uma vez no espelho, me dei conta que havia algo diferente. Foi então, que revi as cenas do episódio da última noite. Aterrorizante e triste.

Meus olhos brilharam, mas não com a mesma intensidade, tão pouco, pelos mesmos motivos. Estavam transbordando de dor, assim como um dia, transbordaram de amor. Aquele já não era mais um dia que fazia parte da minha antiga vida. Naquele instante, meu coração fora consumido por uma tempestade, que levou para fora de mim, todo o calor que mantinha uma chama incessante acesa. Você se foi, e levou consigo, tudo que um dia foi importante pra nós. Todos os sorrisos, as palavras ditas, os carinhos e as noites de amor. Meu coração, quebrado por suas palavras violentas, se encontrava em pedaços. Era uma dor impossível de suportar. Parecia impossível viver sem ti, mas eu precisava seguir em frente. Estava me perdendo, preso nesta rotina viciante que era você. Eu precisava mudar, não sentir medo, ser forte. É incrível como a vida é algo, e em instantes, vira de ponta a cabeça.

Mas agora, preciso encontrar quem realmente sou. Tirar de mim todas as marcas e transformá-las em força para seguir. É um novo dia. É preciso olhar para frente.Toda a dor se tornou uma marca em meu peito. Você e todas as lembranças, já são parte de um passado trancado às sete chaves.

SobreVIVER

Não faz muito tempo, terminei de ler um livro. Confesso que só o li porque o nome me chamou atenção e a história estaria nos cinemas em breve.
Após terminar, fiquei pensando no quanto aquela história é verídica. Não que eu saiba de fato, em quem os personagens foram inspirados. Mas percebi o quanto eles se assemelham a pessoas ao meu redor. Apesar de todos os pesares, o que mais me prendeu a história foi a decisão da personagem: esquecer tudo e todos. Largar família, amigos escola. Abdicou de suas mordomias e tudo mais que uma adolescente poderia ter, para assim, poder viver a vida conforme lhe conviesse. Acredito que ela queria apenas VIVER, e não SOBREVIVER.
Todos nós temos nossas obrigações e deveres, compromissos e a fazeres. Devemos estudar, trabalhar e ser alguém na sociedade. Você é aquilo que  faz, consome e acredita ser. Papéis que não passam de rótulos. Não definem quem você realmente é. Confesso que, por um momento, gostaria de ter a coragem que personagem teve: deixar tudo para trás, retirar toda a necessidade e obrigação de ser alguém para as pessoas, para ser alguém para mim. Viver de acordo com minhas vontades e desejos. Não ter que viver dias massivos e exaustastes. Não ser obrigado a colocar um sorriso no rosto todas as manhãs.

Quem vive assim e é realmente feliz? Se você acha que sim, talvez seja melhor rever sua maneira de viver. Mas já que estamos no barco, vamos velejar, cada um como pode, porém, sempre lembrando de viver. Sabendo que um dia sua jornada chegará ao fim e pode ser tarde demais para voltar atrás.