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Importância dos coletivos culturais para a visibilidade social

Temáticas da juventude vem conquistando importante espaço e destaque nos últimos anos. 

Essa visibilidade, em grande parte retomada através da mídia e do mercado, é reforçada também pelo aparecimento do protagonismo de novos coletivos como os jovens da periferia, os militantes altermundistas, os jovens migrantes, entre outros que, num cenário recente, mostram sua vitalidade. 

coletivos culturais

coletivo feminista – foto: midiamax

Com o aparecimento destes novos atores, ganham visibilidade também os movimentos clássicos, como o movimento LGBTQIA+, Feministra e Negro, incorporando outras pautas ligadas aos campos da cultura e da identidade

Um rolê sem preconceito.

Um mercado de trabalho inclusivo.

Uma sociedade que acolhe todas as identidades de gênero. 

É por um mundo assim que jovens se organizam em coletivos, uma nova forma de mobilização que promove debates igualitários e soluções inovadoras para os desafios da juventude.

O que são coletivos?

O dicionário nos dá várias definições para o termo “coletivo” mas, na prática, estamos familiarizados com este conceito. 

Sabemos que coletivo indica algo que abrange muitas pessoas, que é utilizado por muitos, ou seja, indica interesse comum. 

Podemos definir um coletivo como várias pessoas buscando o mesmo objetivo, que nesse caso, é o desenvolvimento cultural através da produção independente

Os coletivos culturais modernos, por assim dizer, são associações entre pessoas de várias funções diferentes, com o objetivo comum de desenvolver o cenário artístico e cultural de determinada região,  como explica Olivieri e Natale (2010): 

Os coletivos realizam forma natural e simples, com a ajuda destas coisas que chegaram agora, os lugares compartilhados na nuvem, os meios de comunicação gratuitos, as redes sociais.

A música, especialmente, se beneficia muito porque se constrói e gera riquezas e empregos a partir apenas de pessoas, de criatividade, de conteúdo, a partir de conversas, encontros interação. (OLIVIERI, NATALE 2010, p.35) 

E já que estamos vivenciando o que Castells (1999) chama de “sociedade em rede”, podemos também atribuir ao termo a ideia de relacionamento virtual, através de ferramentas que permitem a produção cultural de forma colaborativa, que com a popularização da internet, vem se tornando uma prática cada vez mais comum entre os usuários da rede.

Coletivos Culturais

Os coletivos culturais são atualmente uma das expressões mais efervescentes dos movimentos sociais contemporâneos

Tais movimentos estão inseridos no conceito dos novos movimentos sociais: organização de pessoas que lutam por interesses comuns e vislumbram avanços que 

“em grande medida, independem do que o Estado pode conceder – objetivos que guardam uma relação muito mais próxima com um senso de crescimento e identidade pessoais em interação com a subcultura do movimento”. (DOWNING. 2001, p. 57) 

No atual cenário político social, os coletivos remontam a ideia de ocupação de espaços públicos, realizando festas em ruas, praças e lugares abandonados.

coletivos culturais 1010 na rua

101Ø – NaRua (Viaduto SantaTereza) – Foto reprodução facebook

Coletivos e produção colaborativa

No caso dos coletivos, a produção colaborativa veio a ser a principal plataforma de interação, através do uso de ferramentas de produção e distribuição de conteúdo com intuito de elaborar ações relacionadas à produção cultural.

Podemos também associar os coletivos culturais à dita Nova Produção Independente.

Os artistas produzidos através dos coletivos culturais pertencem ao cenário independente da indústria fonográfica, já que “por definição, uma banda é independente se não for vinculada a nenhuma gravadora multinacional, as denominadas majors.”

coletivos culturais

Coletivo Masterplano

No caso dos eventos – festivais e festas; estes também são organizados de forma independente, pois não contam necessariamente com apoio financeiro público ou privado para sua realização.

Os subsídios para a realização dos eventos são obtidos a partir do sistema de economia solidária, venda de ingressos e consumo no local.

Coletivos: sociedades criativas

Um aspecto interessante nos coletivos é a possibilidade da transcendência da obra em relação à criação individual. A atuação conjunta é mais do que uma mera coleta de obras ou ideias com temas afins. 

Muitas vezes, o resultado da atuação é uma única produção, compartilhada em regime de co-autoria por todos os seus criadores que atuam em regime de “sociedade”.

Mais do que isso: num processo como esse, é inevitável o intercâmbio de técnicas, elementos da estética e de meios de produção artística.

Coletivo Montarya – Foto reprodução facebook

Coletivos e contracultura

Especificamente no Brasil, os coletivos tiveram papel crucial na discussão e na denúncia dos abusos cometidos pelos governos militares.

De certa forma, a produção individual e coletiva naquela época retomou os anseios de engajamento apregoados pelos Modernistas. 

Assim, a produção das décadas de 1970 e 1980 resgatam valores que haviam sido defendidos cinco décadas antes.

A diferença, no entanto, é que a produção dos coletivos no segundo período, muitas vezes, apresentavam a questão de forma velada, em oposição às manifestações explícitas dos modernistas.

Coletivos nos Novos Tempos

A partir dos anos 1990, a questão do coletivo toma impulso com a internet e a telefonia celular

De certa forma, emerge da ideia do coletivo uma organização muito mais fluida, muitas vezes sem qualquer compromisso de continuidade, como por exemplo no caso dos flash mobs

Na última década, o colaborativismo nas produções culturais voltou a ganhar força, o que acabou incentivando o surgimento de diversos coletivos artísticos.

Em Belo Horizonte, a exemplo temos os coletivos: MASTERplano, AYO!, 101Ø, PROJETO GALLA, Coletivo Montarya.

Os coletivos culturais já são considerados como um dos movimentos sociais mais expressivos na atualidade e tornaram-se espaços plurais, com viés cultural e artístico

 

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Relaçoes-Públicas, redator, blogueirx, ativista negro e LGBT+.
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